Belregard: Entre a Cruz e a Espada

O Peso da Solidão

Não posso dizer que sou rodiado de amigos, sou apenas rodeado por pessoas, hoje sei que não sou mais um garotinho com uma espada de madeira, o tempo me trouxe cicatrizes, me trouxe perdas, e me trouxe experiência. É dificil para mim ver um ato de maldade e passar impune, não entendo, como este grupo se importa com um velho comedor de lagartixa, totalmente degenerado, mas não se importa com a fila de pais de familha prestes a morrer por um pregador fanático de uma religião duvidosa. Eles tem muito a aprender… Aquele rapaz que deseja ser o líder tem o bom coração, mas suas fraldas ainda fedem a mijo, ele precisa aprender muito, e sinceramente eu não tenho muita paciencia para ensinar. Meu grupo, minha vida, uns ajudavam os outros, eramos uma familia, pude reviver isso, e tenho comigo agora a missão de enterrar aquela velha historia, de honrar esses viajantes que por muitas vezes confiaram suas vidas à mim, assim como confiei a minha vida à eles.

Me incomoda ver que quando marchei em rumo ao certo, apenas o ex-escravo me acompanhou, que contrassenso não? O´que mais poderia temer e ficar recuado provou seu valor, e os demais ficaram lá, se eu tivesse lutado, eles teriam fugido e eu estaria desfalecido em uma poça do meu próprio sangue, e tendo arrastado um jovem que confiou em minha maça. Mas é o que digo, o  tempo me trouxe experiência, alguns podem me ver como um velho louco e porque não dizer rude, outros podem tentar aprender algo, mas o fato é que aprendi a não confiar neles, afinal será que eles merecem o titulo? 

Me parece que na frente do barão eles são uma coisa, tentado mostrar-se valentes e destemidos, mas eu aprendi que o verdadeiro valor de um homem é medido pelo que ele faz quando ninguém esta olhando…

Talvez eu não me coloque mais a prova para protege-los, deixarei eles sentir o peso de uma lança atravessando sua costela, ou de uma espada rasgando sua carne, acho que no final das contas tentarei ver que valor o ex escravo possui, talvez seja o único digno de seguir comigo em um futuro breve.

Lealdade é o que se deve ter quando se anda em grupo, quando se carrega uma bandeira, quando se tem fé. E lamentavelmente não é isso que vejo com este grupo, seguirei em volto de minha solidão, acompanhado por eles até quando preciso for e depois espero seguir meu caminho com uma verdadeira confraria.

 

- Escritas pessoais de Demetrio de Borgoza.

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Sessão 05 - Resgate
Da Viagem para Ravizon

Segue um resumo do acontecido na sessão de jogo. Sem buscar pro dramaticidade, estes tópicos servem de orientação para que os jogadores construam os seus próprios relatos do que seus personagens experimentaram. 

- Viajam de volta de Lenora pra o Presa do Leão.

- A viagem de voltam mostra alguns problemas, especialmente com um grupo de soldados hostis que usavam as cores do barão, deixando todos confusos. 

- Uma vez no forte, descobrem que o envio deles para Lenora fez algumas pessoas descordarem da escolha do barão pelo lado de Anastasia, gerando desertores. 

- Lorenzo, o homem enviado pelos Oradores das Estrelas, fica no forte para estudar a pedra. 

- A viagem para o norte durará cerca de 30 dias e o grupo se prepara da melhor maneira possível.

- A primeira metade corre sem problemas, com uma passagem pelo Círculo do Pregador, onde Morovan abençoou os primeiros homens mais de mil anos atrás. 

- No caminho encontram uma pequena vila familiar, com uma pilha de corpos queimados a mais de uma semana, provavelmente resultado de um ataque generalizado, mas sem pistas. 

- Alguns mantimentos se perdem por descuido do grupo, mas eles caçam, gerando algum atraso.

- Encontram uma vila que estava sendo assediada por um paladino de Vlakin e seu bando. Sob os gritos de "QUEM VOCÊ TEME?", o paladino exigia obediência ao Demiurgo. Depois de uma luta desesperada, conseguem derrotar o fanático.

- Antes de chegarem a Ravizon, passando por Odara, testemunham um duelo. Demetrio descobre que quem luta é Arturo, um dos antigos membros de seu bando mercenário. Infelizmente Arturo perde e em suas últimas palavras, revela ao amigo que foi um homem do próprio bando que os vendeu e que o duelista que o venceu sabe onde este traidor está. 

- Em Ravizon o grupo descansa para se reunir com o bispo local, antes de se apresentar a Belena, a cardeal que foi inidicada pelo barão Tibério, como contato para encontrar seu filho. 

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Horizontes de Sangue
Sessão 04 - Resgate

Decidimos que, antes de mais nada, deveríamos ir à Lenora.

 

 Fiquei feliz, de certo: primeiro, pareceu-me que estávamos mais unidos no pensar. Faz-me todo sentindo saber como está a Rainha… Não, dizer assim não seria justo; queria saber se há chances de vitória apoiando Anastasia… Sim, isso soa mais sincero.

 

… No todo, também, errei um pouco já que não somos “unidos” como pensei. A viagem foi esclarecedora porque… Porque me fez ver que ainda somos estranhos. Somos estranhos uns para os outros. Conhecemo-nos no fogo e, de certo modo, isso é fácil. Porém, foi diferente: agora nos conhecíamos na calmaria. Alguns falam alto demais, outros roncam alto demais… Uns falam baixo demais e são venenosos… Acho que todo tipo de incômodo vai surgindo, se mostrando.

Também, creio, se pudermos passar por isso, então finalmente seremos um grupo. É um teste e farei com que todos passem.

Oh… Agora lembro, encontramos outro degenerado no caminho; fez-me lembrar de Ítalo e o que tive de fazer e… O nome deste era Ítalo também, que coincidência estranha ou, quem sabe, seja o Justo me punindo pelo que tive de fazer. Recordando e recordando.

Por fim, Luigi, nosso contato, fez seu papel… conhecemos a Rainha. Quem poderia imaginar? Uma Rainha. Teria ficado orgulhosa, mãe? Bom, conheci por ver e só. A verdade é que pouco nos falamos; como de comum, este tipo de pessoa sempre quer ajuda. Que seja… Talvez nossa presença tenha feito alguma diferença já que chegamos no meio de uma guerra e, essa, foi vencida.

Também lembrei: guerras são belas somente nas músicas. Poucos bardos estavam lá para ver e, os que estavam, compuseram no tom fúnebre que merece.

 

De todo modo, é o momento. Lenora está sofrendo ataques, nós vimos, Vlakir está aqui. É real, é agora. Nos falta o filho do Barão e, por fim, acredito que uma posição será tomada… Então verei mais uma guerra…

 

- E Argus notou o corte numa das contas, provavelmente quando fora acertado por uma flecha no meio da batalha. A “conversa” terminou ali. Guardou o colar, lúgubre.

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Uma prece por todos

E como sempre temos que provar algo. Quantos mais “favores” colocando nossa vida em risco teremos que fazer para só depois sermos ouvidos? E será que algum dia seremos nós a cobrar que outros nos mostrem algum valor antes de escuta-los? Ao menos, admiro Anastasia que partiu para a guerra junto de seus homens e percebo que tenha que deixar minha ingenuidade de lado mais e mais a cada dia. Eu realmente achei que seria uma conversa rápida e iriamos embora, não é mesmo? Nunca é.

Também não me senti confortável em meio a guerra. Pude ver perfeitamente como meus companheiros abatiam soldados em golpes únicos e precisos e dentre eles eu era o único que as vezes precisava de um novo golpe. A parede de escudos se mostrou tentadora para mim, no entanto, eles não eram meus irmãos. As garras do leão sim, e um leão não seria tão eficiente sem uma de suas garras, certo?

Ainda assim percebo como meus companheiros estão inquietos. Eles ainda não se veem como algo realmente grande e vivo. Como uma unidade. Como um só. Bem, é sempre mais fácil na teoria.

Mas ainda assim eu peço que o senhor guie nossos passos e nossos corações. Nos mostre o que é certo. Nos torne fortes e nos una. Pois a cada dia vejo mais perigos a nossa frente do que quando chegamos ao forte. E temo que no futuro, o erro de um possa ser fatal para todos…

- Pietro tocava a própria barriga, no local onde havia sido esfaqueado meses atrás. E se levantava de sua prece, após novamente agradecer ao criador por mais um dia de vida, seu e de seus companheiros. -

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Sessão 04 - Resgate

Segue um resumo do acontecido na sessão de jogo. Sem buscar pro dramaticidade, estes tópicos servem de orientação para que os jogadores construam os seus próprios relatos do que seus personagens experimentaram. 

- O grupo parte para Lenora, a fim de descobrir a situação da rainha.

- O barão lhes dá o contato de Luigi, um homem da corte que lhe deve um favor. 

- Radu pede que o grupo entre em contato com a ordem dos Oradores das Estrelas, presente em Lenora, já que talvez possam ajudar sobre a pedra que caiu do céu.

- A viagem para Lenora dura alguns dias e são dias onde o grupo conhece um pouco mais a si mesmo, sentindo antipatias que só são perceptíveis quando se é obrigado a conviver com o outro.

- Em Lenora, depois da burocracia com Luigi, eles são recebidos por Anastasia, a rainha de Braden, que os recebe enquanto seus escudeiros colocam a armadura na mesma. Diante da novidade de uma possível decisão do barão, ela exige fidelidade do grupo, mandando-os até o fronte com ela, onde forças de Vlakir adentraram para testar as resistências de Lenora.

- O grupo aceita e se destaca na confusão, matando o campeão do exército inimigo.

- Na volta para o forte, um dos membros da Ordem dos Oradores aceita partir junto, para investifar a pedra. 

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Demetrio e Vulcano em uma conversa sincera

- É meu amigo, vou te confessar que aquela pequena viagem revelou o quanto vou precisar ter paciencia com essa galera… Eles falam demais, ao invés de só seguir a viagem. Nos primeiros dias foi legal, mas com o tempo e o mesmo papo chato, as coisas vão mudando…sinto falta dos meus antigos amigos, aqueles sim sabiam viajar, e sabiam o significado de lealdade… Bem eu não aguentei quando pararam para falar com um louco… o cara ela louco de pedra! um maldito degenerado e lá estavam eles, perdendo tempo, arquitetando como falar com um réles lunático… Façam-me o favor, nesse ritmo vamos demorar um ano pra chegar no outro destino… "vamos parar aquela hiena deve ser algo importante", "vamos parar aquela carcaça podre de um cavalo deve ter um tesouro…", "vamos parar aquele…." vai pro inferno! nesse ritmo eu chegarei sozinho lá, tantas coisas a serem feitas, e eles param pra tudo. Talvez eu esteja ficando velho demais pra isso… entretanto quando fomos colocado a prova de mostrar o nosso valor em uma guerra contra o tribunal, a favor da rainha anastásia, meu cavalo saltou entre a linha de frente e lá tinhamos uma vantagem, posso estar ficando velho, mas ainda sou muito astuto… e o desfecho foi interessante, quando abatemos o campeão de forma brutal, com sua machadada cortando o tronco dele, depois de eu ter atordoado-o com minha maça de guerra, a medida em que o brucutu caia as tropas inimigas iam se afastando e garantindo o nossa honra.

Foi bom lutar mais uma vez ao seu lado, só não sei se todos estão dispostos a arriscar a vida como você e eu fizemos, observo que sempre tem uma figura que se destaca de forma negativa nas horas de necessidade, mas por hora vou me manter imparcial quanto a isso…por hora…

- Demetrio em uma conversa franca com Vulcano

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Uma conversa.
Sessão 03 - Buscando Reconhecimento

Há esperança!

 

Fora tempo que fiquei neste lugar, meu “novo lar”. Notei em mim alguma inquietação; talvez tantas viagens e dificuldades tenham deixado meu espírito inquieto, carente de agitação. Sabe?

- Três minutos depois. -

Não desejo acontecimentos ruins… Porém os espero, pois eles sempre vêm, e tenho confiança em resolvê-los. É preciso alguém que o faça.

As coisas surgem devagar. Uma mão perdida na estrada e uma história de alguém que sumiu. Você observa. O mundo costuma mostrar, mas só se você quiser ver. Você ouve. O mundo costuma falar, mas só se você quiser escutar. Está tudo ali, nos detalhes… Basta existir a vontade necessária nos ossos e você descobre, vê e ouve. Depois disso é fazer o que tiver de fazer e fim… Às vezes, fazer é desagradável e Ítalo sempre estará nos cantos para me lembrar disto…

- Calado por mais meia hora, refletindo. -

Mas há esperança. Acredito que seja minha primeira vez tendo a sensação de salvar alguém, sabe? Salvar, verdadeiramente. Não só fomos capazes de resolver um desaparecimento como, também, nos vestimos com a responsabilidade de salvar a vida do embaixador Belgho. Que fosse um mero camponês… Salvar alguém é gratificante. É bom. Por muitas vezes imaginei estar caindo, cedendo. Mas agora vejo! Veja você também! Nossas boas atitudes nos fizeram ser… Ser pessoas. Pessoas de verdade, não o que éramos; e não éramos nada, percebi… E me irritei.

 

Oh… Você diz isso, mas acho que sempre será difícil. Nós somos os que enfrentamos, os que procuram fazer justiça, fazer o certo. Isso é incômodo no mundo em que vivemos onde o errado é confortável, é no quintal, e temos que invadir. Nós que entramos na caverna sem conhecê-la. Corremos por seus corredores sem mapas. Fomos atacados no escuro, sem noção de nada. Até chegar à cela do embaixador, salvá-lo e retornar, matando e cortando, sofrendo com as flechas daqueles “ocultistas”, nós enfrentamos mais do que eles; enfrentamos o desconhecido. Sempre será assim… Por falar em flechas, espero que seu ombro esteja melhor.

 

- Mais dez minutos em silêncio. –

 

… Por fim, agora somos alguém. Mas isso não vai me desviar do caminho que tracei. Talvez ajude. Talvez me dê o poder de enfrentar a Sombra que permeia cada quina, cada lado. Nunca pensei por este lado, mas… Quem sabe… Ser grande entre as pessoas faça-me grande para ferir, mesmo que pouco, as trevas que é esse mundo. Por que não? Vou arrancar o filho do Barão daquele lugar, vou crescer e quem sabe, mesmo, eu comece fazer alguma maldita diferença. – Argus com Demetriu, levemente embriagado, comemorando o merecido reconhecimento. Notou que (aos seus padrões), falara por um dia inteiro. Depois da noite de celebração, permaneceu calado por dois.

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Das Anotações de Valac
Sessão 03 - Buscando Reconhecimento

Tivemos que encarar uma missa hoje. Pudemos perceber que os assistentes de Henry (Enzo e Geovani) deram um sorriso malicioso no momento que o nome de Malakai foi citado. 

Eles sabem de algo.

Tive que me confessar com Henry, uma situação um tanto desconfortável para mim. Contei a Henry sobre o anel que achamos perto da ponte. Não contei que o anel estava numa mão decepada. Ele me aconselhou a levar o anel ao barão, pois seria perigoso demais para nós mantê-lo conosco.

Falei com o barão. Entreguei o anel. Ele não tem informações sobre Malakai, mas percebo que gostaria muito de ter, e isso irá nos ajudar.

Em nossas tentativas desesperadas para obter informações com Enzo e Geovani, tudo deu errado. Até mesmo a ajuda de Nazarro não saiu como esperávamos.

Foi com a ajuda do barão que conseguimos um encontro com Enzo, que não demorou muito a confessar que o embaixador estava sob seu cárcere. Ele prometeu nos levar até o local mantinha o prisioneiro, em troca de sua liberdade. Justo.

Nesse meio tempo ouvimos que Enrico derrubou a árvore que serve de entrada para a morada dos degenerados, e que foram atacados por três criaturas. No combate, mataram uma delas, soubemos que era uma mulher. Gertrudes, claramente. Isso me preocupa… A falta que Ítalo representa pode trazer maiores problemas para o local. Agora os filhos dele estão sozinhos. O que podem fazer? E quem agora toma conta do pai de Ítalo? O que colocamos em risco ao resgatar a criança? Fizemos bem, mas a que custo?

Seguimos Enzo até o local, que se revelou uma caverna. Não demorou muito para que percebêssemos que estávamos em um tipo de templo, definitivamente um lugar onde cultos sombrios estavam em curso. Quando encontramos uma estátua com várias cabeças (uma clara representação dos pecados) tive certeza de que o embaixador não estava ali por motivos políticos (como cheguei a pensar) e sim religiosos.

Fomos atacados pelos cultistas, eu me feri e fiquei extremamente mal, Pietro como sempre me auxiliou. O embaixador estava em uma cela, num estado deplorável. Resgatamos o homem e nos preparamos para deixar a caverna, mas ainda restavam cultistas para lidar.

Enquanto o restante do grupo combatia, eu e Pietro nos dirigimos à saída da caverna, carregando o embaixador conosco. Pietro foi atacado e gravemente ferido. Consegui empurrar o homem que o atacou escada abaixo, e precisei tomar a decisão de deixar Pietro para trás, torcendo para que ele fosse rapidamente encontrado. Sei que os outros não gostaram, e foi muito difícil para mim também… Mas minha prioridade era levar o embaixador.

Esperei o restante do grupo fora da caverna. Quando saíram verifiquei o estado de Pietro, e fiz o que pude. Voltamos ao forte.

O embaixador está recebendo todos os cuidados. Pietro está melhor. Estamos aguardando uma audiência com o barão.

Conquistamos nosso reconhecimento. Agora temos um nome. Somos homens do barão. Com isso, ganhamos novas direções e maiores responsabilidades. O barão precisa ter seu filho de volta, e vamos trazê-lo. 

Ravizon nos aguarda.

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Uma conversa franca

 

- Imagino que queira saber o que aconteceu Henry. E me perdoe o linguajar, mas sua expressão de que tem algo na garganta está tornando seu rosto amargo… Não, não se preocupe, eu também me sentiria melhor falando sobre isso e não precisa ser uma confissão. Você me ajudou muito em me ouvir quando precisei, então, se posso lhe ajudar agora falando, será um prazer.

Primeiro: não se culpe.

Você não tinha como saber que os dois eram cultistas. Eu mesmo tenho aprendido desde muito cedo que o inimigo é um jogador astuto e que não devemos nos surpreender ao sermos enganados por ele. Eu diria que não deveríamos confiar em ninguém Padre – e depois do ultimo evento isso veio ainda mais forte em minha mente. Mas sabe, Henry, não quero ser esse tipo de homem.

Eu acredito que podemos sim ainda confiar uns nos outros. Como eu confiei a você os temores de minha alma. Como eu confiei meu escudo a Demetrio e com isso me coloquei como um alvo mais fácil a frente do resto de meu grupo. Como eu confiei em Valak quando fui a sua frente mesmo querendo ficar e cai no chão daquela caverna para uma morte fácil – se não fosse resgatado a tempo. Mas eles me resgataram e foi e o enbaixador foi salvo assim como meus primeiros socorros feitos pelo próprio companheiro que me deixou para trás. E no fim, tudo deu certo.

Eles eram cultistas. Eles poderiam nunca ter aparecido nesse forte e cultuar aquela estatua horrenda cheia de cabeças, escondidos para sempre, enquanto sangravam o embaixador até a morte. Mas por sorte estavam aqui e foi na missa, depois de suas palavras em busca de qualquer conhecimento sobre o desaparecimento de Malakai, que meu grupo pode notar os risos de ambos e fomos capazes de conseguir com um deles a informação que salvou não só uma vida, mas talvez varias dependendo do que significou essa visita de Belghor. Assim como você também pode conhecer os males que sofreu uma certa garota da vila dos lenhadores.

Eu acredito que o criador ainda tem um plano para todos Padre, e nos fizemos parte dele hoje. Da maneira que nos foi possível contra um inimigo tão grande e poderoso, nós tiramos muito mais dele do que ele foi capaz de nós tirar. E quanto a isso, só temos que agradecer.

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Reflexões Narrativas: O Fim de um Arco
Sobre o fim de uma etapa

Chegamos ao fim do primeiro arco de nossa campanha de Belregard. A estrutura do jogo nesse momento foi bastante tradicional, o objetivo do grupo era conseguir reconhecimento dentro do forte onde buscaram refúgio.

Em Belregard, a vassalagem é um elemento fundamental da sociedade. Todo homem e mulher serve a alguém. Se você não tem um suserano, significa que não é uma pessoa digna de confiança e que não tem ninguém para zelar pela cobrança de uma eventual morte. Em uma terra onde a palavra de uma pessoa é o seu bem mais precioso, onde as amarradas da confiança são atadas em votos de fidelidade, a honestidade é a pedra fundamental. Na mente de muitos, uma pessoa sem suserano é alguém indigno. Se ela já teve um senhor ou senhora, o que aconteceu com este? Morreu? Então você não deveria estar morto junto, já que devia servidão até o fim?

Isso não significa, porém, que não existam mentiras. Significa apenas que estas mentiras, quando descobertas, são as maiores e mais vís traições que uma pessoa pode cometer. Agir contra seu suserano é um pecado terrível, da mesma forma que é trair a confiança de seu anfitrião, que abriu as portas de sua casa para um pernoite. 

Tivemos alguns momentos icônicos dentro desse arco, como o conflito dos personagens com a moralidade de matar um degenerado. Dentro da saberoa popular de Belregard, um degenerado se torna uma coisa, não sendo mais humano. Não se condena quem mata um degenerado, ainda assim, vendo que estes não eram culpados concientes do que ocorria, sentiu-se uma pontada de arrependimento na luta covarde em corredores escuros, onde a vida do degenerado foi ceifada. 

Tivemos uma outra questão moral, quando o grupo decidiu permitir que um pai resolvesse com as próprias mãos a questão do abuso que sua filha sofreu nas mãos de um rico comerciante. Eles arranjaram um encontro onde este homem, um rude lenhador, mas ainda alguém intocado pelos males do mundo, abateu o mercador (perverso sim, um homem imundo) a golpes de machado. No encontro posterior, com este mesmo lenhador, o clima era outro. É como se ele tivesse deixando a Sombra entrar em seu coração, tornando-se também um pouco monstro. Culpa dos jogadores?

Por fim, tivemos outro grande momento, que foi o resgate de um embaixador. Foi este evento que de fato garantiu a eles um lugar de destaque no local. A conclusão do arco se deu com os personagens sendo reconhecidos como vassalos do barão do forte. Até então eram homens sem senhor, que eram tolerados no local. Quando os personagens chegaram ao forte, eles eram vítimas da guerra civil que estourou em Braden, tinham perdido seus senhores e estavam tentando vida nova. Conseguiram, sendo reconhecidos. Como vassalos do barão, possuem uma limitada autoridade no local e estão prontos para se envolverem em questões diretamente relacionadas a guerra. 

O balanço final, pra mim, foi ótimo. Conseguimos manter o tom durante todo o jogo, sem perder as estribeiras com a sobriedade pretendida por Belregard, sem momentos épicos. Do começo ao fim os combates foram raros e brutais. A precariedade marcou as três sessões que representaram cerca de dois meses vivendo naquele lugar. Existiram outros momentos em que os personagens auxiliaram, mas de certo que estes três epsódios marcam mais o jogo, por terem envolvido moralidade, corrupção e o reconhecimento em si. 

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