Belregard: Entre a Cruz e a Espada

Um papo entre amigos
Sessão 03 - Buscando Reconhecimento

- É meus amigos, eu pensei que a seria mais fácil, confesso. Senti um receio neste resgate no qual paramos em uma caverna de ocultista para buscar o tal embaixador..ficar na frente e aparar os perigos era o que eu tinha que fazer, mas por dentro, o receio me atormentava. confesso que não tive coragem de ir ver os barulhos de cascos no corredor, afinal em uma caverna tão sinistra, você também não iria ver, talvez fosse algo interessante, mas resolvi não arriscar, pois eu tinha a certeza que não seria ajuda para nós.. eles tinham vantagem de terreno, eles enchergavam no escuro, malditos cultistas!

Mas conseguimos não é mesmo, chegamos até aquela cela podre e cheia de trapos, e resgatamos o nobre embaixador. Felizmente conseguimos o nosso tão buscado reconhecimento, porque, sinceramente, vou confessar, foi um trabalho duro, um trabalho perigoso, e a cicatriz em minha costela me lembrará que foi por um dia tão glorioso, no qual recuperei meu titulo. Se tomassemos uma atitude errada, estaríamos agora debaixo da terra, ou capturado pelos servos ereges… Enfim, valeu a pena, e pude ver que posso confiar em alguns de vocês … (olha receioso quanto aos principios de Valak, que abandonou o amigo no corredor sangrando a espera da morte…),

View
Sessão 03 - Buscando Reconhecimento
Do Resgate de Malakai

 

Segue um resumo do acontecido na sessão de jogo. Sem buscar pro dramaticidade, estes tópicos servem de orientação para que os jogadores construam os seus próprios relatos do que seus personagens experimentaram. 

- Pietro, Argus e Ullr são acossados por pesadelos, envolvendo suas atitudes passadas. A Sombra parece estar começando a prestar atenção neles. 

- Durante uma missa, onde Henry por aqueles desaparecidos, ao citar o nome de Malakai (o embaixador belgho desaparecido, suposto dono da mão encontrada na estrada, com o anel de selo de Belghor), o grupo percebe que Enzo e Giovani (assistentes de Henry) trocaram sorrisos. 

- O grupo começa a investigar os dois jovens, mas os meios para tentar intimida-los saem pela culatra, gerando até mesmo a prisão de alguns membros, liberados posteriormente como favor do barão.

- Enrico havia ido com soldados derrubar a árvore dos degenerados e retornam com notícias. Foram atacados por três seres, mas um foi morto, dois menores fugiram. O grupo assume que Gertruda foi abatida. Além disso, encontraram restos de corpos na orla da floresta, próximo do vilarejo dos lenhadores ao sul. 

- Pensando em conseguir o favor de Nazarro, para que ele consiga tirar um dos subordinados de Henry do forte, para que eles interroguem, pedem para o que o lenhador atraia um deles. Na vila, o clima é outro, mais sério, mais hostil. 

- O plano não da certo, já que é o próprio Henry quem acaba indo visitar os lenhadores. 

- O grupo decide pedir ajuda ao barão, que estava ciente da busca deles pelo embaixador e, dessa forma, Tibério os coloca em uma sala com Enzo. 

- Diante das acusações, Enzo não resiste e confessa, dizendo que Malakai está preso nas montanhas. Ele pede que, em troca de leva-los até lá, seja deixado vivo para que fuja. O grupo aceita a oferta. 

- Durante a noite, seguindo Enzo, o grupo chega a um platô nas montanhas norte. Ele mostra a passagem e parte. 

- Na fenda, os sinais de heresia praticados ali se tornam claros quando uma estátua, uma quimera misturando a simbologia das cinco Provações, adverte aqueles que entram com palavras frias de ameaça escritas em uma placa de pedra. 

- No interior da caverna, que se mostra um templo antigo, o grupo não passa muito tempo. Os cultistas presentes se aproveitam da iluminação que eles mesmos trazem para manter ataques furtivos. Eles conseguem abater parte do secto e resgatam Malakai.

- Havia mais do templo para ser visto, mas eles preferem partir.

- Com dificuldade retornam ao forte e Malakai recebe os devidos cuidados. 

- Passado certo tempo de recuperação, o grupo é finalmente convidado para o salão da nobreza e lá são reconhecidos como vassalos de Tibério Tértio, juram fidelidade ao suserado e conversam brevemente com Malakai, que é extremamente agradecido. Malakai havia sido sequestrado por ser um verum, os cultistas acreditavam que seu sangue potencializaria seus rituais. 

- Em particular, ao questionarem o barão, descobrem o verdadeiro motivo de sua neutralidade. Tibério não deseja trair sua rainha, mas ao mesmo tempo tem um filho vivendo em Ravizon, estudando para ser padre. Diante do suporte do grupo, ele pede para que eles partam para Ravizon e tentem trazer seu filho de volta. 

 

View
Um grande avanço
Sessão 02 - Buscando Reconhecimento

             Mais um dia que felizmente superou as expectativas… Estávamos só em dois, eu e Valac, tudo indicava pouco progresso, eis que surge um cavalheiro com intuito de se juntar a nós(Demitrio).

 

      Aparentemente um guerreiro de bem. Era o que faltava para termos um dia eficiente alguém pra dar porrada e aguentar umas também… Assumiu a posicao de frente e facilmente batalhamos em conjunto. O que me animou bastante para querer sair atrás de aventura, nao via a hora de um grande feito pela cidade, talvez um dia teremos nome para falar com a Rainha, a ultima esperança de Braden. 

~~

    Porém minha ansiedade seria prejudicial se nao fosse por Demitrio e Valac, que me fizeram fazer a coisa certa, a justiça com Lelia e seu pai. Um comerciante que abusou de Lelia dizendo ter sido enfeitiçado teve seu destino… O pervertido se encantou pela minha voz também, é um feitico que eu usei… Desgracado, teve o que merecia. Como combinado com pai de Lelia, íamos trazer o tal comerciante ate ele para poder se vingar. Machadadas letais foram desferidas no comerciante sem dó, até a escuridao te consumir, porém nao foi o suficiente para sanar a dor e o trauma que ficará em Lelia…

 

   Durante esse trajeto tivemos informaçoes preocupantes sobre degenerados rondando o local onde acontecia aquela celebraçao, tiveram contato com Valac e diziam estar a procura de seu pai, era óbvio… Valac apenas respondeu que nao sabe de nada, e ate entao esperamos que eles nao descubram que fomos nós que o matamos, sem duvida devemos ficar bem atentos.

 

      Finalmente saímos atrás de aventura ”uma estrela que rasgou os céus”. Vark (meu cachorro) já se animou, meu maior e leal amigo. Nada havia no local onde ela caiu, só uns corpos mortos, secos e quebradiços, nada que a gente já tivesse visto antes nem eu nem meu cachorro, eles estavam desintegrados. Encontramos uma pedra em um lago, podia ser só uma parte de um destroço da tal estrela, a coincidencia é que perto dessa pedra tinha uns corpos secos e quebradiços também, alertando que obviamente há algo muito errado. Enrolamos-a num pano grosso e levamos para Radu, que nos indicou e pediu por ela, nao tinha muito a dizer, guardou para depois examinar.

 

 

     Decidimos ir fazer uma limpa nos arredores e fomos em direçao a ponte ocupada por bandidos que saqueavam ali entre a passagem… Foi o momento mais satisfatório do dia pra mim, Vark como sempre comigo… Demitrio fez muito bem seu papel de Guerreiro, enquanto eu aproveitava o tempo em que ele segurava as porradas para ajudá-lo atacando de longe, meu sangue esquentou rápido, e a todo momento era de adrenalina, ali pude testar minha mira e perceber que por enquanto ainda estou dando conta… Nosso avanço em conjunto foi bem eficaz. Se ja nao bastasse os ladroes eles tinham um aliado degenerado, como pode… Ele era grande e pesado, provavel que seus golpes fossem bem fortes, nao estava la pra receber, Demitrio usou de sua garra e dignidade para ficar ali de frente resistindo, chegou a ser atingido, parece que foi de grande impacto, porém nós dois atacando juntos conseguimos matar o tal degeneogro a tempo, antes que nos matasse é claro.

 

     Como sempre querendo mais, saquiei os ladroes e consegui dez moedas de prata talvez possa ajudar alguém com isso… Sem contar com o anel que estava em uma mao decepada, vestígios que a guerra esta próxima e que nao podemos ficar parados. Provavelmente o grupo vai se reúnir agora e espero realizar grandes feitos. A guerra está próxima…

View
Das Anotações de Valac
Sessão 02 - Buscando Reconhecimento

   

Um cavaleiro recém-chegado ao forte nos abordou em nosso desjejum. Eu estava na companhia de Ullr, que respondeu “sim” sem nem refletir quando o desconhecido pediu para se juntar ao nosso grupo. Ullr é perigosamente inconsequente… Mas como por hoje estávamos só nós dois, achei por bem aceitar o desconhecido, Demetrio, que tem os mesmos objetivos que nós. Será uma boa adição ao grupo.

   Decidimos investigar o boato sobre um comerciante que afirma ter sido enfeitiçado por uma ninfa, que o levou para o bosque. Colhemos informações com Sandoval (o comerciante), com os moradores da vila e por fim, chegamos à “ninfa”. Lelia, treze anos. Filha do lenhador Nazarro. Lelia relutou em falar, tive de insistir com delicadeza. E quando a menina chorou em meus braços, tive certeza de que não estávamos lidando com o sobrenatural, e sim com um caso de pura perversidade humana. Nazarro confirmou: sua filha fora violentada. Demos nossa palavra que levaríamos Sandoval até o bosque para que Nazarro tivesse sua merecida vingança.

   Resolvi verificar a entrada do bosque. Ouvi barulhos, sons de farejar. Com cautela, me aproximei. E para minha surpresa… Um degenerado. Disse que me reconheceu pelo cheiro. Era um dos filhos de Ítalo. Perguntou sobre o pai, que meus companheiros executaram. Não contei da morte dele, apenas falei que não sabia de seu paradeiro. Foram embora. Mas deixaram em mim uma sensação de perigo iminente…

   Foi difícil convencer Sandoval a ir conosco à floresta. Tive de fingir interesse por uma criatura desprezível. Prometi que faríamos parte de algo desprezível. Uma… “aventura”.

   Mas conseguimos. Nazarro estava esperando com seu machado.

   E seu machado fez um ótimo trabalho. Reduziu Sandoval a pedaços. Ficamos eufóricos com o espetáculo, e embora meus companheiros logo tivessem ficado enojados, eu senti fome…

   Afasto o pensamento. Não posso pensar nisso…

   Partimos para investigar “uma estrela que rasgou os céus”.

Achamos a cratera onde tal coisa caiu, e obviamente ela não estava mais lá. O intrigante é o corpo que foi encontrado ali perto.  Seco, quebradiço, como se tivesse sido sugado. No mesmo estado estavam vários outros corpos que encontramos em um acampamento. Aqui rondam aves sempre dispostas a devorar o que cai no chão, e os corpos não possuem sequer uma marca de bicada…

   Encontramos uma pedra no lago, levamos para Radu.

   Fomos investigar uma ponte tomada por bandidos. Demetrio se saiu muito bem, Ullr também. Eu me feri. Tenho muito pouco a acrescentar em situações como essa.

   Mas não deixo de pensar na mão decepada que encontramos. Talvez a guerra esteja ainda mais próxima daqui…

View
A conversa entre Demetrio e Radu
Sessão 02 - Buscando Reconhecimento

- É meu amigo, hoje o dia foi cheio, estou cansado e com um pouco de fome… essa armadura é muito boa, mas também o peso do ferro ao calor do sol nos deixa exauridos… queria te agradecer por estar consertando ela a esta hora para mim, espero que não seja um incomodo, e vou lhe contar um pouco de como isso aconteceu.

- Alguns ladrões se aproveitavam da passagem da velha ponte para saquear, e nós fomos lá para tira-los e facilitar o acesso para os comerciantes, tudo ia bem, até que uma criatura grotesca, com uma altura bizarra e uma armadura improvisada apareceu, sua clava era quase do tamanho de uma pessoa, mas seus movimentos não eram tão lentos, quando pude perceber estava sendo lançado ao ar e caindo ao chão com o impacto de sua clava ao meu peitoral de aço -  se eu não estivesse armadurado certamente teria perdido algumas costelas por ali – ele me acertou em cheio no peito, deixando sua marca em minha bela armadura. A briga foi sangrenta e eu podia ouvir os urros de dor ao acertar sua pele mórbida, sua feição de raiva se mesclava com desespero quando minha maça quebrava seus ossos. Que adrenalina! Tudo para deixar um pouco mais calmo as coisas por aqui, malditos ladrões! Agora presos não voltarão a atormentar as estradas… Valeu a pena poder ajudar a este forte, valeu a pena poder coibir a ações de criminosos tão perigosos… e agora preciso dessa velha armadura restaurada para continuarmos a caça desse bando de desprezíveis, aproveitadores que ainda circudam os arredores de Braden..

-Obrigado Radu, ficou ótima! Muito obrigado mesmo..

View
Sessão 02 - Buscando Reconhecimento
Da Resolução de Aguns Problemas Internos

Segue um resumo do acontecido na sessão de jogo. Sem buscar pro dramaticidade, estes tópicos servem de orientação para que os jogadores construam os seus próprios relatos do que seus personagens experimentaram. 

- Um cavaleiro desgarrado soma forças ao grupo, também no interesse de tornar-se vassalo do barão.

- O grupo se dedica a resolver outros problemas que continuam pairando no Presa do Leão. 

- Investigam sobre o caso do mercador Sandoval, que alega ter sido enfeitiçado por uma ninfa dos bosques, antes de despertar quando foi atacado por um selvagem do campo. 

- O grupo investiga brevemente na pequena vila de lenhadores próxima do forte, na orla da floresta que eles mesmos haviam entrado no encontro com os Degenerados. 

- Lá conhecem Lelia, a suposta ninfa. A menina, depois de acalmada, acaba chorando e contando o que lembrava. Ela estava dançando ao som das músicas que os lenhadores tocam todas as noites e foi atacada por algo grande, que fedia muito e desacordou, desperando apenas com a presença de seu pai, que afugentou a coisa. 

- Nazarro, o pai da menina, é menos cuidadoso. Ele sabe que Sandoval abusou de Lelia, mas não levou a acusação adiante, aconselhado pelos companheiros, afinal seria sua palavra contra a de um homem rico, Lelia acabaria ficando sozinha no mundo. Ele pede para que o grupo arranje um encontro.

- Compadecidos com a ira do pai e sem encontrar uma justificativa sobrenatural que confirme o que Sandoval disse, eles concluem que o mercador estava bêbado, abusou da menina e inventou esta história para se safar. 

- Enquanto passavam uma noite com os lenhadores, Valac tem um encontro com um dos filhos de Ítalo, o degenerado. A criança está procurando seu pai e encontrou Vlac seguindo seu cheiro. Valac não conta da morte de Ítalo e o degenerado e seu irmão retornam para o bosque.

- De volta ao forte o grupo procura uma maneira de afastar Sandoval de seus aposentos, levando-o ao encontro de Nazarro. 

- O grupo acaba descobrindo, nas conversas, que Sandoval é uma alma completamente entregue as depravações da carne e a repulsa pelo mercador só aumentam, até que eles decidem ludibria-lo com uma promessa de "aventura" entre eles mesmos. O mercador aceita e termina na orla da floresta, onde é executado pelo pai da menina molestada, a golpes de machado contra o pescoço suíno.

- Temerosos de que seriam cobrados pelo sumiço do mercador, se mantém alerta e ocupados, dando atenção a uma demanda de Radu, o ferreiro local. A alguns dias, uma luz riscou os céus e parece ter caído nas colinas sul. O ferreiro sabe que, em raras ocasiões, estas estrelas tazem pedras e metal. Caso o grupo conseguisse, ele ficaria feliz em estudar o material.

- Investigando, eles encontram a cratera e um pouco distante desta, o corpo de um homem, possivelmente um bandido, largado no chão, com a pele seca como pergaminho, quebradiço. Seguindo mais adiante, com os rastros de um grupo de pessoas, encontram um acampamento nas margens do lago ao norte do forte. Todos os homens do acampamento mortos na mesma situação do outro e, num cercadinho dentro da água, uma pedra preta, quente ao toque. 

- Temerosos dos poderes daquela coisa, envolvem com uma capa e levam para o forte, para que Radu estude. O ferreiro se mantém receoso da pedra e a deixa guardada, alegando que vai procurar estudiosos que o possam ajudar. 

- Por fim, o grupo decide atacar os bandidos que estão ocupando a ponte na estrada do forte, que ruma para Belghor.

- No caminho, uma mão decepada largada no chão chama a atenção. Esta mão, ressecada, mostra um anel com um punho. Mais tarde descobre-se que o anel é um selo de Belghor. Havia o boado de um embaixador desaparecido, de Belghor, o grupo pela morte do mesmo e no que isso pode implicar nas relações entre as castelanias. 

- Na ponte, de fato haviam bandidos e o que assusta é o que os criminosos chamam de "troll", um degenerado que vivia sob a tal ponte, alto e largo, vestindo uma armadura feita de remendos de barris e panelas. O combate se segue, mas o cavaleiro contribui muito e a derrota dos criminosos vem em tempo. 

- Em posse de um prisioneiro, os soldados do forte descobrem que aquele bando prestava tributo aos bandidos que vivem nas cavernas, na direção oeste do forte.

- O grupo descansa depois destes intensos de resolução de problemas. Algumas dúvidas se mantém:

  • O que se seguirá do sumiço de Sandoval.
  • O destino do embaixador de Belghor.
  • Os filhos de Ítalo, o degenerado, eles trarão problemas?
  • A verdade sobre o metal que caiu do céu.
  • Os bandidos que se escondem nas cavernas das montanhas.
View
Reflexões Narrativas - Moralidade Seletiva?
Sobre a Corrupção e os Degenerados

Vamos refletir…

No texto referente aos Degenerados, tratamos eles como monstros. Eles são, falando francamente, pessoas que foram contaminadas pelo mal que existe no mundo. Podem ser seres que enlouqueceram, ou que foram corrompidos completamente pela Sombra. Dentro da lógica de uma pessoa que vive no mundo de Belregard. o Degenerado desdenha do Corpus Dei, do corpo que o Criador deu ao homem mortal, além de ser uma ofensa ao culto do Puro Leoric, que prega o tempero entre corpo e mente para atingir o divino, preservando a forma física como um presente do Pai. Dessa forma, é fácil entender que o Degenerado não merece qualquer sinal de pena ou empatia, eles são coisas, monstros, sombras distorcidas do que foram outrora.

A nossa situação no jogo é incomum. Quando o grupo de jogo entrou na caverna dos Degenerados e encontrou Ítalo, percebeu que, apesar de ter atraído a criança do vilarejo com seu canto, não o fez nessa intenção. Pior ainda, a criança em questão era feliz na companhia dos Degenerados, brincando em suas cavernas, maravilhada com os cogumelos luminosos. Assim, diante de tamanha "humanidade" no monstro, o grupo não agiu de forma hostil, eles negociaram, oferecendo suas armas para conseguir a criança de volta e um guia, o próprio Ítalo, até a saída. Foi feito.

Próximo do fim, já podendo ver a passagem, alguns membros do grupo refletiram… Eventualmente aquele Degenerado cantaria novamente. Ele atrairia outra criança, que poderia não ter tanta sorte. O que fariam então? Esperar e novamente descer para o resgate? Ou acabar com aquele mal? Optaram pela segunra escolha. Ali mesmo, na caverna apertada e mal iluminada, dois membros do grupo agarraram o pobre anão deformado e numa luta suja, em meio a terra e ao suor imundo do desespero que exalava pelos corpos, conseguiram degolar a paródia de ser humano. Não foi uma luta gloriosa contra uma besta irracional, ou um combate heróico contra o vilão terrível que devorava crianças. Foi um abate covarde que deixou um gosto agridoce na boca.

O que fazer? Belregard trabalha com essa moralidade. Nós temos caminhos de corrupção, quando cada personagem se aproxima do Ímpio que lhe guarda, cada vez mais sendo engolfado pela Sombra na medida em que se rende aos pecados. Dentro da mentalidade do mundo, eles não fizeram o errado, mas mesmo os personagens sentiram a sujeira do assassinato entre seus dedos. Eles devem tentar a corrupção? Eles devem ter a moralidade colocada na balança? Me ajudem a decidir. 

View
Confissão de Pietro
Sessão 01 - Buscando reconhecimento

[Este relato se refere ao ocorrido na sessão 01]

- Eu nunca me confessei antes, senhor Henry. Então, se quebrar algum protocolo, espero que me perdoe.

Nossa caminhada até ao forte foi precedida de mal agouro, com aves de rapina nos escoltando pela savana, ainda assim decidi acreditar que aquilo não significava nada. Sabe, lembro que quando mais jovem eu não era supersticioso, mas hoje já não posso dizer o mesmo.

Ainda assim meus temores pareciam infundados quando fomos bem recebidos – algo difícil fora dessas terras onde a guerra já tomou conta de tudo. Sequer esperava por comida e um teto para dormir antes de provar alguma serventia aqui, por isso quando o barão nos pediu que fizéssemos – e eu sabia que pediria – me senti realmente interessado não apenas em mostrar meu valor, mas em ajudar.

E não tardou até que Ullr nos revelasse um problema da vila. E como ignorar uma criança retirada de seus pais quando eu também fui uma? Para mim não restavam duvidas. Para mim aquilo era mais do que provar valor – era algo que um homem de bom coração não poderia ignorar e eu sou um homem de bom coração padra, tento ser…

Agora que penso com mais calma, lembro como passar pela neblina me trouxe uma sensação de paz. Era atraente e confortável e naquele momento me imaginei como uma das crianças perdidas ali e entendi porque elas entrariam tão fundo nesse bosque sem medo. A passagem pela arvore no entanto, parecia muito mais incomoda em meu intimo e talvez se não fosse o torpor da neblina eu teria percebido o quanto aquela passagem parecia a boca de uma criatura querendo nos devorar.

Mas descemos, descemos e descemos. Já esteve na escuridão padre? Me perdoe se estiver blasfemando, mas a cada momento em me sentia descendo na própria alcova profana. E eu senti raiva padre. Uma raiva antiga e primitiva. Uma raiva de mim pelas minhas fraquezas. Uma raiva pelo que fiz no passado, motivado pelo mesmo sentimento. Raiva de nosso Lord que morreu nos deixando sem um senhor. Raiva do mundo por ser como é. Mas resisti padre, resisti para estar aqui agora, do contrario, não estaria e talvez a criança também não. Mas resistir foi difícil e admito que em parte o que me ajudou foi a voz de Italo.

Sim, eu me sentei a mesa do degenerado e minha intenção ali era acabar rapidamente com tudo, nem que precisasse matar também sua família – mas quando ele cantou sua voz me acalmou, fez dormir a fera dentro de mim. E eu pude perceber que  – novamente me perdoe se eu estiver blasfemando – Italo era tão humano quanto poderia ser. Mais civilizado do que muitos que conheci. E sendo verdade suas palavras sobre nunca ter tocado e feito mal a nenhuma criança, seria também menos criminoso do que muitos homens que andam pelas ruas. E foi por isso que aceitei deixar minha espada em troca da criança.

Ainda assim eu sabia que sua voz era algo poderoso e profano, algo que não deveria existir nesse mundo – e na verdade a julgar por onde estávamos, não existia mesmo. E hoje espero que esse tenha sido o real motivo pelo qual não excitei quando Argus decidiu que Italo não deveria viver.

Pois sei que ele cantaria novamente, sei que outra criança seria tirada de seus pais. Mas também sei que eu tirei o pai daquelas crianças em baixo da terra. E espero que o criador possa me perdoar, padre…

 

 

View
Da Conversa entre Família - Argus e o Colar de sua Mãe
Sessão 01 - Buscando reconhecimento

[Este relato se refere ao ocorrido na sessão 01]

- Mãe… hoje foi um dia difícil, mas não deveria! Tudo estava ótimo.

Chegamos ao forte e foi fácil.

A indecisão do barão pareceu-me fraqueza de início, porém, após nos encontrarmos, senti que há muito nele e decidi não julgá-lo; existem ali muitos motivos, creio agora.

Falar com um barão foi fácil.

Precisamos mostrar nossa utilidade – sempre precisamos – e logo vi uma boa oportunidade de prová-la, através de um caso trazido por Ullr… Qual julgo tolo em excesso. Crianças desaparecidas… Sempre elas.

Mãe, tomar a decisão de entrar na floresta foi fácil…

Ainda lembro-me quando nos deparamos com uma barreira de neblina, mãe… Lembro da sensação de acolhimento ao atravessá-la. Lembro do chamado confortável  que emitia o buraco onde entramos. Depois da torpe sensação inicial, o conforto e acolhimento azedavam em nojo no meu interior. E inveja, mãe…  Tudo aqui, tudo, um pouco da Sombra que, por ela, fora sacrificada e não pude fazer nada, mãe. Seria simples se entregar e inveja sentia dos que podiam… Eu tenho um dever e não posso…

Mas fora fácil suportar. Fácil… Mas a inveja estava lá…

Mãe, também recordei do menino… O menino que eu tanto judiava… Ele tinha um pai e seu pai não era um assassino. Tinha uma mãe e sua mãe era viva. Havia casa, carinho, família… inveja sentia disto. Inveja, sempre ela. Me senti mal ao lembrar; ele se tornara alguém ruim por minha culpa e isso me fazia sentir como um instrumento da Sombra. Isso me dá ódio!

(E Argus apertou com força a corrente de contas que já fora de sua mãe)

Mas ainda assim, passei. Me pareceu possível e quando olho para trás, sobrevivi. Foi fácil!

Encontrar a criança foi fácil. Encontrar os degenerados foi fácil – apesar da incredulidade em dados momentos ferir meu raciocínio. Fugir foi fácil! Mas matá-lo… Digo, Ítalo, o degenerado, isso foi… Foi difícil. Enquanto o agarrava e sua garganta era cortada o sentia debatendo… Ele queria tanto viver. Talvez, em sua mente débil, sequer soubesse o motivo de estar morrendo. Fiz porque tinha de ser feito. Fiz porque faltou fibra nos demais – não em Pietro e agradeço por isso mesmo sem poder dizer – para sujar as mãos. Mas, sabe? Me senti, novamente, como um instrumento de algo ruim… Mãe, é possível dar-se contra as trevas fazendo algo tão… Triste?

Isso foi difícil, mãe…

Seria bom simplesmente se render. Deixar ser e acontecer… Confortável. Ainda assim, infelizmente não posso. Não posso. Não depois de vê-la sangrar.

O resto, após, fora somente resto. Borrões. Não estava mais lá. Alguém, creio, tomara a dianteira de nosso grupo e, estúpido, de avançar por dentro da mata em pleno breu e, claro, fomos atacados por… Não sei dizer, mas posso arriscar ser algo muito palpável e crível em comparação ao que experimentei antes. Uma fera, talvez.

… Perder os sentidos foi fácil… E bom…

A criança está salva. O barão, por fim, nos olha melhor. Eu… Bom, eu… Não sei. Perco um pouco da fé em meus companheiros. Eles não possuem o que é necessário para se fazer o que é necessário. São como crianças. Suas soluções não são soluções, são paliativos. Essas terras não precisam de paliativos, precisam de soluções. Talvez, um dia, alguém tenha deixado passar coisas e coisas, detalhes e detalhes, tenha tido medo e deixara passar um único alfinete que se tornara, depois, a adaga qual tirara sua vida, mãe…

Sei como este mundo funciona… Sei de nossa derrota… Sei quem triunfou e triunfa, dia após dia e como um animal acuado, vou enfrentar. Não haverá alfinetes. Sem paliativos. Sei o que é minha vida e… E ao depender de mim, não haverá nenhum outro menino para viver desgraça semelhante.

(Valac se aproximava, então guardou a corrente de contas que sua mãe usava nas orações e ergueu-se. Todo sinal de franca tristeza desaparecia para, no lugar, a expressão severa e afiada, padrão, e fora ter com o companheiro)

View
Das Anotações de Valac
Sessão 01 - Buscando Reconhecimento

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[Este relato se refere ao ocorrido na sessão 01]

   Chegamos ao forte. Teresia recebeu nossa mula e nos deu direções. Fomos para a taverna, consegui obter algumas informações com Ana. Ao que parece o barão do lugar, Tiberius, está relutante em dar apoio a quaisquer dos interessados no conflito. Para mim, fica claro que o apoio deve ser dado à Anastasia. Me pergunto se na hesitação do barão existe somente o desejo pelo bem estar de seu povo… Não posso deixar de imaginar coisas piores, mas preciso tentar desta vez.

   Amanhã falaremos com o barão.

-

   Falamos com o barão. Precisamos provar nosso valor, é claro.

-

   Ouvimos boatos  sobre crianças desaparecendo, indo em direção à floresta. Decidimos checar.  Nela, encontramos uma barreira de neblina espessa, definitivamente algo sobrenatural, assim como o estranho  sentimento de bem-estar ao adentrar nela. Achamos uma árvore com uma passagem convidativa (uma descida), entramos, e eu soube imediatamente: era um ventre negro. Ao descer, fui tomado por pensamentos insanos. Memórias. Um gosto peculiar na boca, uma fome diferente… Meu tutor… Não gosto de me lembrar desta parte.   

   Encontramos degenerados. Encontramos um banquete. Encontramos a criança. O degenerado – Ítalo – quis nossas armas em troca dela. Não dei a minha. Alguns companheiros deixaram as suas, a troca foi feita, e Ítalo concordou em nos guiar de volta. Os mesmos companheiros decidiram matar Ítalo, na esperança de que cessem os desaparecimentos, pois é o canto de Ítalo que atrai os pequenos. Um canto fascinante. E ele precisa cantar. Mas eu sinto que a coisa que devora as crianças não vai parar tão fácil… A meus companheiros talvez falte experiência com o profano.

  Uma enorme criatura apareceu, mas eu corri para longe com a criança. Era a prioridade, afinal. Voltei apenas para buscar Pietro e Argus, que ficaram desacordados com o ataque.  

   Voltamos ao forte, a criança está bem (imagino até quando) e agora vamos relatar tudo. Provar nosso valor.

View

I'm sorry, but we no longer support this web browser. Please upgrade your browser or install Chrome or Firefox to enjoy the full functionality of this site.